
«Se alguma vez, nos salões de um palacio, sobre a erva de uma vala ou na solidão morna do vosso quarto, acordardes de uma embriaguez evanescente ou desaparecida, perguntai ao vento, a vaga, ao passaro, ao relogio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento a vaga, a estrela, o passaro, o relogio, vos responderão: São horas de vos embriagardes! Para não serdes escravos martirizados do tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem cessar! Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha. Mas embriagai-vos! Deslumbrai-vos!»
É isso que eu desejo, embriagar-me da vida! Desejá-la com toda a intensidade e vivê-la intensamente... Visto que o amanhã está tão longe como as estrelas no céu e tudo o resto caminha para a morte, só me resta viver e amar essa vida... Amá-la e amar-me a mim! Pela primeira vez em toda a minha vida!
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